Em alusão aos 165 anos da Caixa Econômica Federal, completados nesta segunda-feira (12/1), o SindBancários e a Fetrafi-RS promoveram um ato em frente ao Edifício Querência, na Praça da Alfândega, no Centro Histórico de Porto Alegre.
A mobilização integra o Dia Nacional de Luta contra o fechamento de agências e por mudanças nas regras do Super Caixa. Dirigentes das entidades distribuíram material informativo, dialogaram com trabalhadores e com a população e reforçaram a defesa da Caixa como instituição pública, estratégica e essencial ao desenvolvimento do país. No local, também foi servido bolo em celebração ao aniversário do banco.
Lucros em alta, direitos em risco
A Caixa celebra mais um aniversário em meio a profundas contradições. Enquanto os lucros crescem de forma expressiva, avançam o fechamento de agências, a redução da presença territorial e os impactos negativos para trabalhadores e comunidades que dependem do banco público.
Em sua fala, Sabrina Muniz, secretária-geral do SindBancários e representante dos trabalhadores do RS na Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, destacou a dedicação cotidiana dos empregados e o clima de insegurança instalado no banco.
“Nossos colegas trabalham todos os dias, em todos os cantos do Brasil, para suprir as necessidades das pessoas. Mas vemos muita incerteza e insegurança, com fechamentos de unidades e mudanças constantes que pegam os trabalhadores de surpresa. O sentimento no banco é de tensão e pressão para atingir resultados”, afirmou.

Fechamento de agências prejudica todos
Desde 2017, a Caixa já fechou 196 agências, com um enxugamento acelerado em 2024 e 2025. Para os empregados, o cenário tem sido de descomissionamentos, perda salarial, sobrecarga e adoecimento, mesmo diante do compromisso do banco de que não haveria prejuízos.
Em muitos municípios, a Caixa é o único ponto de atendimento bancário, fundamental para quem depende de programas sociais e não tem acesso à internet ou aos serviços digitais.
Para Luciano Fetzner, presidente do SindBancários, o banco público tem plena capacidade de crescer sem abandonar sua função social. “A Caixa é o banco mais importante da história do país e nós precisamos protegê-lo. Como empresa pública, deve tratar bem funcionários e clientes e seguir sendo catalisadora de políticas públicas, programas sociais, financiamentos habitacionais acessíveis e tudo o que a população precisa que o sistema financeiro faça”, defendeu.
O movimento sindical reivindica a suspensão imediata dos fechamentos, a recomposição da rede física e o fortalecimento da Caixa como banco público estratégico para o desenvolvimento e a inclusão social.

Banco público é resistência e acesso a direitos
O diretor do SindBancários Paulo Caetano destacou a importância histórica da Caixa no atendimento à população mais precarizada. “A Caixa nasceu a partir das poupanças de pessoas escravizadas que buscavam comprar sua alforria. Desde sua origem, o banco está conectado à população mais explorada da sociedade brasileira, e segue cumprindo esse papel até hoje, por meio de diversos programas sociais”, ressaltou.
O caráter popular e resistente da instituição foi reforçado pelo diretor Guaracy Padilha. “Celebramos os 165 anos de um banco que é patrimônio do povo brasileiro. A Caixa tem uma história de resistência às tentativas de privatização e fatiamento, sempre com a participação ativa dos empregados”, afirmou.

Super Caixa: do jeito que está, não dá!
Outro eixo central da mobilização é a crítica ao Super Caixa. Imposto sem negociação, o programa de remuneração variável criou regras complexas, injustas e punitivas. Mesmo quem cumpre suas metas pode ficar sem comissão se a agência não atingir indicadores fora de seu controle.
O resultado é mais pressão, conflitos no ambiente de trabalho, desmotivação e aumento dos riscos à saúde mental dos empregados. Conforme o diretor do Sindicato, Tiago Vasconcellos, o questionamento é sobre o tratamento que a Caixa tem dado aos empregados.
“Os colegas têm chamado o programa de 'Super Fraude', pois vendem, vendem, vendem e não recebem comissão. Então o banco tem que melhorar isso, rever, sentar à mesa de negociação com a representação dos empregados para que possamos realmente ter um programa que reconheça o trabalho dos colegas”, pontuou.
O SindBancários, a Fetrafi-RS, a Contraf-CUT, a Fenae e demais entidades defendem: suspensão do Super Caixa para debate e revisão; garantia de que o programa não substitua nem reduza a PLR; metas justas, transparentes e com proteção à saúde mental dos trabalhadores.
Para pressionar a Caixa, foi criado o abaixo-assinado “Vendeu, recebeu!”, que cobra regras justas e respeito aos trabalhadores. Acesse e assine: https://www.change.org/p/campanha-vendeu-recebeu
Defender a Caixa é defender direitos, empregos e o futuro do país. A luta continua!

Jornalista/Fonte
Imprensa SindBancários