O movimento sindical bancário realizou, na quarta-feira (19/11), o Dia Nacional de Luta no Bradesco, em defesa dos empregos, das condições de trabalho e do atendimento presencial. As mobilizações ocorreram em todo o país e reuniram federações e sindicatos do ramo financeiro, reforçando a unidade necessária para enfrentar a política de desmonte adotada pelo banco.
As entidades adotaram o slogan “Saca Só, Bradesco: Demitir pra quê? Fechar pra quê?”, para criticar o crescente fechamento de unidades e demissões, que prejudicam tanto os empregados quanto os clientes. A frase faz alusão à campanha do banco "Sacar Pra Quê?", que incentiva os clientes a migrarem para canais digitais.
Em Porto Alegre, o SindBancários, a Fetrafi-RS e os sindicatos do Interior promoveram uma mobilização no prédio da Gerência Regional do Bradesco, no bairro Moinhos de Vento. Dirigentes sindicais dialogaram com a população, conversaram com colegas, distribuíram panfletos explicativos e fizeram um salchipão para marcar o ato.
Lucros altos, empregos em queda
Os números escancaram a incoerência da política adotada pelo banco. O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 18,136 bilhões nos nove primeiros meses de 2025, um aumento de 28,2% em relação ao mesmo período de 2024. Mesmo assim, segue reduzindo postos de trabalho e fechando unidades.
Em apenas um ano (de junho de 2024 a junho de 2025), o Bradesco encerrou 342 agências, 1.002 postos de atendimento e 167 unidades de negócio. Isso corresponde a 38% dos fechamentos de unidades de atendimento bancário no país no período. Embora outros bancos privados, como Santander e Itaú, também estejam demitindo, o Bradesco foi o campeão em cortes.
Para Everton Gimenis, representante do RS na Comissão de Organização dos Empregados (COE) Bradesco, a postura da empresa é injustificável. “O banco não pode seguir aumentando seu lucro às custas da exploração dos trabalhadores e da precarização do atendimento. O fechamento de unidades prejudica os funcionários, que enfrentam demissões, sobrecarga e adoecimento, e também os clientes, que precisam percorrer longas distâncias e enfrentar filas nas agências. Por isso, estamos fazendo essa campanha, pois precisamos dar um basta nessa situação”, defendeu.
Precarização do atendimento
O Bradesco, que durante anos divulgou ter presença em todos os municípios brasileiros, segue agora na direção oposta. Com o fechamento de agências, muitos clientes são empurrados para canais digitais ou correspondentes bancários, estruturas fragilizadas e incapazes de substituir o atendimento presencial de qualidade. Isso aumenta o risco para os clientes, especialmente em regiões de difícil acesso ou entre pessoas com menor familiaridade com tecnologia, ampliando a exposição a golpes e à exclusão financeira.
Além disso, correspondentes não são bancários, não têm formação adequada nem direitos garantidos pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). O diretor de Saúde do SindBancários, Rodrigo Rodrigues, alertou para a falsa promessa de “empreendedorismo” difundida pelos bancos.
“Vemos muitos trabalhadores realizando atividades típicas de bancários, mas recebendo baixos salários e sem os direitos da categoria. Foi com muita luta que garantimos conquistas como PLR, gratificações e plano de saúde na nossa CCT. Por isso, nunca foi tão importante se sindicalizar, fortalecer o Sindicato para que possamos seguir defendendo os direitos dos trabalhadores, se não, esses banqueiros vão nos engolir”, destacou.
A luta continua
As manifestações realizadas em todo o país demonstram a união e a disposição da categoria. O movimento sindical reforça o compromisso de seguir enfrentando a política de desmonte do Bradesco e demais bancos privados.
O SindBancários, junto às demais entidades, seguirá mobilizando trabalhadores e a sociedade para mudar esse cenário. A defesa do atendimento presencial, seguro e de qualidade é fundamental para a população e para os bancários.
A luta continua e continuará onde for necessário.
Jornalista/Fonte
Imprensa SindBancários e Contraf-CUT