O SindBancários Porto Alegre e Região promoveu, na terça-feira (12), uma plenária virtual cdos empregados do Banrisul de sua base, para debater as demandas dos trabalhadores. A agenda inaugurou as discussões sobre as pautas a serem levadas ao Encontro Nacional dos Banrisulenses, que acontece nos dias 27 e 28 de junho, no Clube do Comércio.
Neste ano, assim como a Convenção Coletiva nacional dos bancários, vence também o Acordo Coletivo de Trabalho do Banrisul, instrumento fundamental de expansão de direitos aos trabalhadores do banco.
Para o presidente do SindBancários e coordenador da Comissão de Organização dos Empregados do banco (COE Banrisul), Luciano Fetzner, as negociações devem sofrer forte influência do processo eleitoral para o governo do estado. “O Encontro Nacional deste ano será tem potencial para ser o encontro das nossas vidas. Teremos muita coisa em jogo e se pretendemos garantir e ampliar nossos direitos, precisamos também de muita mobilização, para que o Banrisul continue público e forte”, afirmou.
Temas para debate
Na plenária, com dezenas de trabalhadores presentes, foram levantados diversos temas que podem fazer parte da pauta de reivindicações que será entregue à direção do banco. Além da melhoria geral das condições de trabalho, pontos específicos foram trazidos pelos banrisulenses, como, por exemplo, a maior transparência e equidade de avaliação para as promoções regulamentares.
Outro tema abordado pelos trabalhadores diz respeito às dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores com deficiência para ascensão dentro da carreira no banco. Na mesma linha, também foi levantada como reivindicação a expansão de auxílios para familiares PCD. Foram cobradas ainda melhorias em relação à Fundação Banrisul e à Cabergs.
Entre as falas, também estiveram presentes a revisão dos valores dos vales refeição e alimentação, julgados defasados em relação aos índices inflacionários dos alimentos, e a priorização do aumento do salário básico, em detrimento à política de bônus e campanhas adotadas pelo banco.
Como, infelizmente, é tradicional na categoria bancária, saúde e condições de trabalho e combate às violências também tiveram destaque. Foram debatidos combate ao assédio sexual e moral, a sobrecarga de trabalho e cobrança abusiva por metas, muitas vezes sem clareza e alterações em meio aos semestres.
“O adoecimento da categoria deve ser um dos pontos centrais do debate e, com isso, toda a discussão das relações de trabalho que está diretamente ligada com a transformação digital”, complementou Fetzner, defendendo que um dos grandes motes da Campanha Nacional dos Bancários deste ano deve estar ligado à sobrecarga por conta da implementação acelerada de novas tecnologias.
Os pontos negativos da recente reestruturação também tiveram seu peso na discussão. Pautas como a majoração da recém criada Gratificação de Função de 6h, critérios claros para ascensão na tabela dos cargos gratificados e isonomia para os cargos comissionados preteridos do tombamento apareceram. Também foi defendido que os GRs não deveriam ter poder para liberar cadastros e participar de comitês de crédito, o que gera contradição direta com o discurso da empresa a respeito da separação entre cargos tratados como não ou sim de confiança, diferenciados pela jornada que cumprem. Esses temas seguem figurando entre as principais discussões pendentes, e sendo questionadas com frequência por boa parte dos banrisulenses.
Riscos e desafios gerais
Para subsidiar o debate, o técnico do Dieese Alisson Droppa ainda apresentou um panorama geral sobre a saúde financeira do Banrisul, com os riscos e desafios do banco dos gaúchos diante da transformação digital e tecnológica do setor financeiro. Segundo ele, o Banrisul está buscando ampliar sua atuação como banco regional tradicional e se posicionando como banco digital competitivo, com investimento superior a R$ 400 milhões em tecnologia e abertura da rede de caixas eletrônicos mais modernos para clientes de outros bancos.
“Isso pode reduzir custos no longo prazo, ampliar receitas de serviços, melhorar retenção de clientes, aumentar competitividade contra fintechs e bancões”, explicou.
A estratégia do banco para 2026, afirmou Droppa, é crescer no crédito empresarial e em operações de câmbio. Entre os principais riscos previstos está o aumento acelerado da inadimplência. O índice de inadimplência acima de 90 dias saltou de 1,73% para 4,18% em apenas um ano e os créditos vencidos acima de 90 dias cresceram 153,5% em 12 meses.
Além disso, há outros riscos que não podem ser ignorados. O futuro do banco está vinculado a crises climáticas (como as enchentes de maio de 2024), problemas no agronegócio, desaceleração regional, crises fiscais e outros.
Em um cenário otimista, na opinião do técnico do Dieese, o Banrisul pode se consolidar como um banco regional forte, lucrativo e moderno. Mas, isso depende da eleição de um governo progressista, que valorize o banco público. Já a eleição de um governo mais neoliberal pode apontar para a desvinculação ainda mais das políticas públicas do Rio Grande do Sul em relação ao banco, ampliação da crise econômica regional, restrição às exportações, aumento da inadimplência rural e empresarial, perda acelerada de clientes para bancos digitais e pressão política sobre gestão.
Jornalista/Fonte
Imprensa SindBancários