Neste domingo (31/05), durante o segundo dia da 28ª Conferência Estadual dos Bancários, a categoria definiu propostas, moções e resoluções que serão levadas para a Conferência Nacional, onde serão decididas as prioridades e os planos de luta para a Campanha Nacional Unificada 2026. Cerca de 300 bancários de todo o estado participaram do evento, sediado no Centro de Eventos da Igreja Pompéia, em Porto Alegre.
Resoluções
A primeira resolução do encontro, defendida pelo diretor de Comunicação da Fetrafi-RS, Juberlei Bacelo, diz respeito à atualização da estratégia da Campanha Nacional. A ideia é dar um sinal objetivo aos bancos públicos - principalmente Caixa e Banco do Brasil - da necessidade de que as pautas específicas sejam negociadas desde o início das mesas com a Fenaban.
“Para que não deixemos apenas lá para o desenrolar da campanha, no final de agosto, tensionando as nossas bases, é necessário que, desde o início da primeira negociação, sinalizemos a estes bancos a necessidade de que, de fato, haja negociações no desenrolar do processo”, reforça a resolução.
A segunda proposta de resolução aprovada acompanha o que já foi definido no Encontro Nacional de Saúde para as Conferências: saúde é a prioridade central da Campanha Nacional 2026. “O adoecimento da categoria não é um fenômeno isolado, mas resultado direto do modelo de gestão dos bancos, baseado em metas abusivas, pressão por resultados, controle permanente, vigilância tecnológica e assédio moral organizacional”, afirma a resolução defendida pelo secretário de Saúde da Contraf-CUT e dirigente do SindBancários, Mauro Salles. “A saúde deve ser tratada como eixo transversal da campanha, orientando a pauta de reivindicações e a estratégia de negociação”, reforça o documento.
Outras resoluções aprovadas tratam da sustentabilidade do Saúde Caixa e da Cassi, com a defesa da derrubada imediata do teto de 6,5% da folha de pagamento para a participação da Caixa no custeio. No caso da Cassi, a proposta é de uma meta de custeio de 20,74% da Fopag como referência até o ano de 2030 e de uma proporção de 70% para o Banco do Brasil e 30% para os associados.
Sobre a PLR (Participação nos Lucros e Resultados), o pleno da Conferência aprovou a defesa da distribuição de 12% do lucro líquido dos bancos de forma linear, igualitária e universal entre todos os empregados dos bancos. Outras duas resoluções deram conta de temas apresentados nos encontros estaduais do Banco do Brasil e da Caixa, que ocorreram no sábado (30).
Houve, ainda, uma resolução sobre a necessidade do cumprimento da CLT, onde está prevista a jornada de seis horas para a categoria, inclusive comissionados, a exemplo do que ocorreu com a recente reestruturação do Banrisul. Isso eliminaria inclusive a Cláusula 11, onde os bancos hoje preveem o pagamento do passivo trabalhista com o pagamento da gratificação de função porque, na verdade, as horas extras não são pagas.
Índice de reajuste e demais propostas
Os bancários do Rio Grande do Sul levarão duas propostas de reajuste para a Conferência Nacional. A primeira delas, defendida pelo dirigente do SindBancários Porto Alegre Everton Gimenis e aprovada pela maioria dos presentes, indicará 5% + o índice da inflação. Na defesa, Gimenis argumentou que este pedido é estratégico para a conquista de aumento real, sendo o índice que mais se aproxima da realidade da negociação e defendendo a coesão com os índices de outros estados.
A outra proposta, defendida pela diretora da Fetrafi-RS Cristiana Garbinatto, dá conta do pedido de reajuste a partir da média da rentabilidade no balanço dos maiores bancos brasileiros, que, neste ano, corresponde a 15,83% + a inflação. A tese obteve votos de mais de um quinto do plenário, mínimo previsto pelo regimento da Conferência, e também será encaminhada ao encontro nacional.
Além da proposta de índice, os bancários gaúchos também apresentarão uma minuta de texto para a promoção da igualdade de oportunidades e de tratamento da população LGBTQIA+. Com explanação da secretária da Juventude da Contraf-CUT e diretora do SindBancários, Bia Garbelini, a proposta foi aprovada por unanimidade.
Moções
Três moções foram aprovadas pelos presentes na Conferência. Uma repudia o feminicídio e o extermínio de mulheres negras; outra contra as demolições ilegais no Quilombo Kédi (Porto Alegre) e em defesa da permanência e resistência das famílias quilombolas. A terceira moção trata da defesa da dignidade, da saúde e pela valorização dos trabalhadores aposentados e idosos no setor bancário.
Por último, a plenária chancelou o acordo para a definição dos delegados que participarão da Conferência Nacional, que será nos dias 19, 20 e 21 de junho, em São Paulo.



Texto e fotos: Aline Adolphs